Geraldo da Silva

Apoiar agricultores locais a desenvolver novos mercados

A vida de Geraldo da Silva mudou quando ele descobriu a produção orgânica. Não em consumi-la mas em produzi-la.

O cafeicultor de Petúnia estava esforçando-se para sobreviver com o que tinha produzido dos cafés convencionais. Em 2000 ele tinha conseguido entre 80 a 90 reais a saca.

Em 2008, depois de converter 90% de sua produção para café orgânico, conseguiu em torno de quatro vezes mais do que isto.

Isto é comum por aqui. O café orgânico, embora produza cerca de 20% menos grãos por hectare do que o convencional ou o café Fair Trade, de acordo com as estimativas de Geraldo, resulta em um preço muito mais alto.

"O custo para produzir o café orgânico é menor e produzimos menos, com o preço mais elevado o que faz ser algo compensador." diz Geraldo.

Ele fala sobre o café orgânico como uma conversão religiosa e está, obviamente, comprometido com a proteção do meio ambiente na área onde passou toda sua vida e que ama por sua espetacular beleza natural.

Muitos riachos nascem nessas montanhas, e no desejo de protegê-los, eliminou fertilizantes e pesticidas. Protege o solo através das cascas dos grãos para proporcionar nutrientes, utiliza esterco como fertilizante natural e planta gramas especiais que liberam nitrogênio no solo.

"Temos muita água aqui, e o único modo de garantir que permaneça limpa é eliminando as químicas," diz seriamente.

Leva em média três anos antes que os cafeicultores possam vender seus produtos como orgânico. Eles devem dar este tempo às suas terras para que ela fique livre que qualquer toxina deixada pelo homem.

Geraldo teve sua primeira migração para orgânico em 1999 e vendeu sua primeira safra de café Orgânico para Café Bom Dia através da cooperativa em 2004.

Entretanto, ele passou boa parte de seu tempo expondo as virtudes do café orgânico para outros membros da cooperativa por causa do alto preço pago que parecia bom demais para ser verdade. Agora, após esperar alguns anos para confirmar se era realmente verdade, ele está preparado para voltar a semear.

"Não vai ser difícil trazê-los a bordo" ele diz. "Temos apenas que dizer que estamos vendendo o produto e que eles serão pagos em dia. O resto será fácil."

Geraldo fala orgulhosamente sobre os benefícios financeiros do café orgânico como um homem lendo a lista de desejos dos fazendeiros.

"Este ano comprei uma pick-up e um caminhão" diz, contando os lucros em suas mãos. "E uma máquina de lavar nova, um freezer, um sofá, alguns armários, outra moto e separei um pouco para consertar meu trator. Comprei um computador e minha esposa, minhas três crianças e eu fizemos um curso para aprendermos a utilizá-lo. Paguei 6.000 reais por um pedaço de terra onde vou construir uma casa para meu filho que está prestes a se casar. Minha vida mudou para melhor, e digo isto às pessoas. Eles estão vendo que tenho cada vez mais sucesso."

Geraldo pensa em investir o capital adquirido na aquisição de mais terras. Mas não é uma idéia que ele levará adiante. A vida, diz ele, é boa e crucialmente manejável. Ele deseja que continue desta forma.

"A vida não é fácil aqui", complementa. "Mas sou muito simples e vivemos confortavelmente nos sete hectares que temos. Se expandirmos, seríamos escravos do dinheiro e isso não é o que quero. Gosto da minha vida como ela é. Boa e tranquila".